sexta-feira, 24 de setembro de 2010

DO TEMPO QUE AMARRAVA CACHORRO COM LINGUIÇA

                           DO TEMPO EM QUE AMARRAVA CACHORRO COM LINGUIÇA


 Na Bahia, quando queremos dizer que alguma coisa está ultrapassada  ou é muito antiga usamos a expressão: “isso  é do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça”.
Nos últimos vinte anos, após ter faltado a minha colação de grau, fato que causou tristeza aos meus amigos,  tenho ido a varias  formaturas nas diversas universidades e faculdades do estado de Pernambuco. Confesso que as vezes tenho a impressão que estou vivendo na Idade Media.  No mínimo meia hora para formação da mesa, pessoas com roupas estranhas em cerimoniais  medievais , discursos intermináveis e falsos juramentos.
Fui à uma formatura em que o paraninfo  trazia às mãos mais ou menos umas cinqüenta folhas de papel  ofício, quando o referido senhor terminou de ler a oitava folha, metade do auditório já estava bocejando. Naquela hora me veio à lembrança a Velha Norina, famosa rezadera do interior baiano, a mesma era  tia do meu pai e mãe dos primos Quinca Bagajá e Jesuino Couro velho,confesso que se ela estivesse presente no recinto, colocaria, imediatamente, a mão no seu embornal branco e tiraria um galho de arruda para em nome de todos os santos  tirar o quebranto e afastar o mau-olhado e sairia muito alegre após recolher um real de cada pessoa como  agrado pelo  beneficio prestado.
Enquanto muitos padres já estão ensinando aos fieis ascenderem  velas pela internet e Pai de Santo famoso, em pleno meio dia, colocando despacho na avenida principal para não arriscar passar pela encruzilhada após a meia noite, as nossas universidades não conseguem  terminar uma cerimônia de formatura antes das vinte três horas e trinta minutos.
A verdade é que ainda tem gente amarrando cachorro com lingüiça.

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