DO TEMPO EM QUE AMARRAVA CACHORRO COM LINGUIÇA
Na Bahia, quando queremos dizer que alguma coisa está ultrapassada ou é muito antiga usamos a expressão: “isso é do tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça”.
Nos últimos vinte anos, após ter faltado a minha colação de grau, fato que causou tristeza aos meus amigos, tenho ido a varias formaturas nas diversas universidades e faculdades do estado de Pernambuco. Confesso que as vezes tenho a impressão que estou vivendo na Idade Media. No mínimo meia hora para formação da mesa, pessoas com roupas estranhas em cerimoniais medievais , discursos intermináveis e falsos juramentos.
Fui à uma formatura em que o paraninfo trazia às mãos mais ou menos umas cinqüenta folhas de papel ofício, quando o referido senhor terminou de ler a oitava folha, metade do auditório já estava bocejando. Naquela hora me veio à lembrança a Velha Norina, famosa rezadera do interior baiano, a mesma era tia do meu pai e mãe dos primos Quinca Bagajá e Jesuino Couro velho,confesso que se ela estivesse presente no recinto, colocaria, imediatamente, a mão no seu embornal branco e tiraria um galho de arruda para em nome de todos os santos tirar o quebranto e afastar o mau-olhado e sairia muito alegre após recolher um real de cada pessoa como agrado pelo beneficio prestado.
Enquanto muitos padres já estão ensinando aos fieis ascenderem velas pela internet e Pai de Santo famoso, em pleno meio dia, colocando despacho na avenida principal para não arriscar passar pela encruzilhada após a meia noite, as nossas universidades não conseguem terminar uma cerimônia de formatura antes das vinte três horas e trinta minutos.
A verdade é que ainda tem gente amarrando cachorro com lingüiça.
o correto acender e não ascender
ResponderExcluirAinda não mudou nada
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